quinta-feira, 19 de março de 2026
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Parceria entre Agepen e Senai leva capacitação a mulheres pré-egressas e egressas, buscando autonomia

Uma iniciativa voltada à geração de renda e à reconstrução de trajetórias de vida foi foco de capacitação que beneficiou mulheres pré-egressas e egressas do sistema prisional em Mato Grosso do Sul.

Em parceria entre a Agepen (Agência Estadual de Administração do Sistema Penitenciário), por meio do Escritório Social de Campo Grande, e o Senai (Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial), foi realizado, na Capital, o Curso de Confecção de Ovos de Páscoa e Trufas, que reuniu 16 participantes do Estabelecimento Penal Feminino em Regime Semiaberto e Aberto, além de egressas do sistema prisional.

Aprenderam técnicas de derretimento do chocolate.
Aprenderam técnicas de derretimento do chocolate.

Totalmente gratuito e com carga horária de 8 horas/aula, o curso oferece certificação e tem como objetivo proporcionar qualificação rápida em uma área com grande potencial de geração de renda, especialmente no período da Páscoa.

De acordo com a instrutora de confeitaria e panificação do Senai, Miriel Isadora Miranda Moraes, as participantes aprendem técnicas fundamentais para a produção profissional dos chocolates. “Elas estão aprendendo desde o derretimento correto do chocolate, controle de temperatura e escolha do tipo adequado de chocolate, até as diferentes formas de produção, como ovos de colher, ovos trufados e trufas”, explica.

Durante a capacitação, também são apresentadas possibilidades de recheios e combinações de sabores, como paçoca, beijinho, brigadeiro de chocolate e doce de leite. Segundo a instrutora, o conhecimento adquirido pode ser aplicado não apenas na produção de ovos de Páscoa, mas também em outras áreas da confeitaria ao longo de todo o ano.

Com 10 anos de experiência, a instrutora Miriel garante rentabilidade nessa área.
Com 10 anos de experiência, a instrutora Miriel garante rentabilidade nessa área.

“Essas técnicas podem ser utilizadas para fazer trufas, bolos, tortas, cupcakes e diversos outros produtos. A trufa, por exemplo, é uma ótima fonte de renda e pode ser vendida o ano inteiro”, destaca Miriel, que atua há cerca de dez anos na área.

Além da qualificação técnica, o curso também evidencia o potencial de retorno financeiro para quem decide empreender. Conforme a instrutora, a margem de lucro na produção pode chegar a 100%, sendo considerada uma das melhores oportunidades de renda no período da Páscoa. A estimativa é que, em cerca de um mês de vendas, uma pessoa organizada e que se antecipe à produção possa alcançar até R$ 3 mil de lucro líquido.

Para a diretora do Escritório Social em substituição legal, policial penal Rozimeire Zeferino, a oferta de cursos profissionalizantes é uma das estratégias mais importantes para promover a reinserção social de pessoas que passaram pelo sistema prisional.

“Os cursos são um dos pilares da ressocialização, porque proporcionam autonomia financeira e dignidade. Muitas mulheres que deixam o sistema prisional são chefes de família e precisam de uma forma rápida de gerar renda. Capacitações em áreas como gastronomia, serviços gerais e estética ampliam essas oportunidades, seja por meio do emprego formal ou do empreendedorismo”, afirma.

Rozimeire destaca, ainda que, a realização das capacitações fora do ambiente prisional contribui para fortalecer o sentimento de pertencimento social. “O aprendizado de um novo ofício ajuda a reconstruir a identidade da mulher e a desenvolver a percepção de que ela é capaz de produzir, trabalhar e ocupar seu espaço na sociedade”, completa.

Entre as participantes está Kelly Cristina Tavares Oliveira, de 45 anos, que atualmente cumpre pena no regime semiaberto e trabalha no Escritório Social. Apaixonada por confeitaria desde a juventude, ela vê na capacitação uma oportunidade de transformar habilidade em profissão.

A reeducanda Kelly Cristina vê na capacitação uma oportunidade de transformar habilidade em profissão.
A reeducanda Kelly Cristina vê na capacitação uma oportunidade de transformar habilidade em profissão.

“Sempre gostei de fazer bolo desde os 12 anos, mas nunca tive qualificação técnica. Eu sabia fazer, mas não tinha as medidas certas e acabava não tendo lucro. Agora estou aprendendo tudo direitinho e isso vai me ajudar muito. Meu sonho é montar meu próprio negócio e trabalhar com doces, bolos e salgados”, conta.

Outra participante é Miriel Moraes, de 53 anos, que já possui experiência profissional na área gastronômica e atuou como chef em restaurantes de Campo Grande, incluindo estabelecimentos de culinária oriental. Para ela, a capacitação amplia horizontes e abre novas possibilidades de trabalho.

“Doce nunca foi muito a minha praia, mas uma chef completa precisa saber fazer de tudo. Esse curso está abrindo portas, porque além de aprender algo novo, também é uma oportunidade de renda. A gente pode vender trufas o ano inteiro e reinventar receitas a partir do que aprendemos aqui”, relata.

Para a direção da Agepen, iniciativas como essa reforçam o papel da qualificação profissional no processo de reinserção social, oferecendo às participantes não apenas conhecimento técnico, mas também novas perspectivas de futuro e autonomia econômica.

Keila Oliveira e Tatyane Santinoni, Comunicação Agepen
Fotos: Tatyane Santinoni

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Escola Tengatui vira Hospital de Campanha na “guerra” contra epidemia de chikungunya

Estrutura foi montada na aldeia Jaguapiru pela Secretaria Especial de Saúde Indígena (Sesai), em parceria com o Hospital Universitário da UFGD (HU-UFGD) para ampliar atendimento a pacientes; avanço da doença já soma quatro mortes nas aldeias Jaguapiru e Bororó em Dourados

A Escola Municipal Indígena Tengatui Marangatu, localizada na Aldeia Jaguapiru, na Reserva Indígena de Dourados, passou a funcionar como um verdadeiro hospital de campanha no enfrentamento à chikungunya. A estrutura foi montada na quadra da unidade e iniciou os atendimentos nesta terça-feira (17), diante do avanço da doença na Reserva Indígena.

Somente no primeiro dia, cerca de 80 pessoas foram atendidas. Já nesta quarta-feira (18), a procura foi menor devido à chuva, mas equipes de saúde intensificaram a busca ativa nas residências, onde há relatos de famílias inteiras com sintomas como dores no corpo, articulações e náuseas.

O hospital de campanha foi implantado por equipes da Secretaria Especial de Saúde Indígena (Sesai), em parceria com o Hospital Universitário da UFGD (HU-UFGD). Para reforçar o atendimento, profissionais de Campo Grande e Caarapó também foram mobilizados.

A estrutura conta com equipe multiprofissional, incluindo médico, enfermeiro, técnicos de enfermagem, farmacêutico, fisioterapeuta e psicólogo. Segundo a enfermeira Mariuza Lara, da Sesai, os atendimentos ocorrem das 7h às 19h, mas podem se estender enquanto houver pacientes. Casos mais graves estão sendo encaminhados para o Hospital da Missão Evangélica Caiuá, enquanto gestantes e crianças seguem para o HU-UFGD.

A instalação do hospital ocorre após a intensificação das ações coordenadas pela Prefeitura de Dourados. As equipes já realizaram 4.319 imóveis vistoriados, 2.173 locais tratados, 1.004 focos do mosquito identificados (90% em caixas d’água, lixo e pneus), borrifação em 43 imóveis, uso de equipamentos de inseticida (LECO) e mobilização de 86 agentes de endemias e 29 agentes de saúde indígena.

A alta incidência da chikungunya impacta diretamente a rotina escolar. Nesta quarta-feira, não houve aulas nas escolas municipais e estaduais da aldeia Jaguapiru. Na própria escola Tengatui, cerca de 30 servidores, entre professores e administrativos, apresentam sintomas da doença, conforme a diretora-adjunta Egizele Mariano da Silva. Também há elevado índice de ausência entre os alunos.

O secretário municipal de Educação, Nilson Francisco da Silva, informou que a suspensão das atividades nesta quarta-feira foi uma decisão de lideranças da aldeia, sem aval ou autorização da Secretaria de Educação, e que o calendário escolar segue normalmente. De acordo com o boletim epidemiológico mais recente, a Reserva Indígena já registra 407 casos notificados, 202 confirmados, 181 em investigação, 24 descartados e 4 mortes. As vítimas são todas da aldeia Jaguapiru, sendo uma mulher de 69 anos, um homem de 73 anos, um bebê de 3 meses e mulher de 60 anos. Na área urbana de Dourados, são 912 notificações, com 379 casos confirmados, mas sem registros de óbitos.

Diante do cenário epidêmico, a Força Nacional do Sistema Único de Saúde do Governo Federal vem a Dourados e tem previsão de iniciar nesta quinta-feira (19) o reforço ao atendimento às comunidades da Jaguapiru e Bororó. A equipe de Brasília se reúne hoje com autoridades de saúde das prefeituras de Dourados e de Itaporã, além da da Secretaria Especial de Saúde Indígena (Sesai).

O secretário municipal de Saúde de Dourados, Márcio Figueiredo, destacou que o poder público tem intensificado as ações, mas reforçou a necessidade de colaboração da população. “Não estamos medindo esforços, mas é fundamental eliminar água parada para reduzir os focos do mosquito”, afirmou. Ele ainda ressaltou que é fundamental a importância de equipes do governo federal para somar esforços.

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Campanha quer ampliar doação do Imposto de Renda para crianças e idosos em Dourados

Município tem potencial de receber R$ 22,7 milhões, mas menos de mil pessoas aderiram à campanha “Declare Seu Carinho”, iniciativa do Ministério Público Estadual, em parceria com a prefeitura, que busca fortalecer apoio às crianças, adolescentes e idosos

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